Ao contrário de um texto acadêmico, esse aqui é sobre vozes da minha cabeça.
Venho me deparando com uma contra-cultura sobre o mundo moderno que é a tentativa de voltar aos anos 2000. Vejo adolescentes comprando câmeras digitais, usando cintura baixa, estampas de oncinha, fazendo cabelos scene, usando headsets antigos e tudo o mais. Eu entendo o fascínio pelo que é diferente, e entendo que esses adolescentes não viveram os anos 2000 pra, de fato, sentirem algo associado a essas estéticas. Para mim, os anos 2008-2014 foram caóticos.
Sobre a moda do período, a associo a algo feio e imposto, que eu odiava, e que eu fazia questão de odiar. Isso fez eu questionar a validade da moda e a criar um senso de estilo aquém dela, embora hoje eu me veja sendo seduzida por algumas trends. Aliás, sempre disse à minha mãe que eu deveria ser estilista: eu gostava de peças e estilos que ainda não haviam aparecido no mercado. Porém, eu suponho que isso se deva a eu estar sempre on-line e influenciada pela moda que circula na internet. Hoje as lojas parecem ter peças de bom gosto, e imagino que isso se deva a eu ter sido finalmente adestrada pela moda. Entretanto, um dia vi um vídeo sobre moda e tendências político-economicas que me fez olhar para ela de uma forma mais crítica. Posso me debruçar sobre isso em outro momento.
Acerca da música, me dá um certo enjôo, como se fosse muito açucarada, ao mesmo tempo em que o pop e o funk são recobertos de idealizações sobre o que é "ser adolescente" e "ser adulto". Aliás, amigos me relatam que a juventude de hoje não frequenta festas na mesma frequência, nem da mesma forma que a juventude de 1990-2000. Isso me surpreendeu. Me surpreendeu ainda mais por parte dessa juventude englobar pessoas da minha idade, ou mais velhas, mas eu compartilhar hábitos, visões, dificuldades e afinidades semelhantes aos dos nascidos em 90. Me pergunto se isso teria alguma influência da convivência com meu irmão ou com meus primos, sendo eu uma das mais novas entre eles.
Paradoxalmente, a era emo tem todo meu coração, como a jovem criança rebelde que queria derrubar o mundo e ser respeitada pelos adultos que eu era.
O que penso, então, sobre os passatempos dos anos 2000? Que eram bons. Não excelentes, mas bons. Porque reconheço que eram mais criativos e menos hipnotizantes, no sentido de não ser tão fácil se perder no tempo, mas também de não ficar alheio ao mundo ao nosso redor. Os passatempos da época eram brinquedos, e talvez a última geração a brincar exclusivamente com brinquedos e a própria imaginação. Não utilizava o chat gpt para criar histórias, e tinha confiança na minha própria capacidade artística, assim como opinativa.
Lia por horas a fio, consumindo mais e mais repertório, exercitando empatia e imaginação. Fazia muitas palavras cruzadas, me frustrando por ter que descobrir as soluções sozinha, sendo impedida pela minha vó-emprestada de checar o gabarito cedo demais. Criava histórias com minhas bonecas, depois histórias de faz-de-conta com minhas amigas, sendo nós mesmas as bonecas, as atrizes das nossas histórias. O que é um RPG, se não uma brincadeira?
Reflito sobre a necessidade humana de inventar histórias junto com outros humanos. De criar um novo mundo, novos personagens, agir em situações que não têm respaldo no desenrolar vida real, ou são impossíveis à realidade tal qual como ela é dada.
E penso também nos blogs.
Como eu amava escrever e ler blogs!
Então decidi escrever esse, pois acabei de ler um post num blog, e achei aquilo tão legal, tão orgânico, tão real. Senti falta desse tipo de conteúdo. Então cá estou, revivendo esse "diário" digital da década passada.
Espero que seja legal!
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